Eu, Leitor Digital

May 31, 2016

Alguns termos amplamente utilizados, mas ainda pouco analisados, parecem ser melhor definidos com a descrição de uma prática do que com um conceito teórico. Assim é com a definição de leitor digital.

 

O que é um leitor digital? Na prática, posso afirmar que: se eu uso a internet e todos os recursos que ela me oferece; se leio matérias, artigos e vários tipos de publicações em tablets, notebooks, celulares e tantos outras mídias; sou um leitor digital. Só não sei dizer com segurança, ainda, se a leitura na tela me encanta mais ou menos, me distrai mais ou menos, me concentra como e quando. Sou leitor em processo, ainda aprendendo a ler. Ler no formato digital. Ouço falar em hipertexto e entendo – depois de leituras também feitas nas telas – que ele é a inter-relação de vários textos e narrativas, é um conjunto de textos que dialoga comigo, leitor, pois permite que eu abra e feche janelas e links, criando relações que complementam minha leitura e, com sorte, meu entendimento. Aprendo que o texto digital me liberta de uma lógica unilateral e me convida a ser menos passivo, mais participativo, estabelecendo com o texto e com seu autor uma relação mais democrática. Agora, não apenas existo, mas também determino como as mídias devem me atender. Leio mais e descubro que, do lado de lá, o autor, também ele aprendiz de sua nova condição, verifica quais recursos deve usar para me seduzir. Seu texto tem de me prender, já que outras janelas sedutoras podem me capturar e eu escapar daquilo que ele escreve para mim. Para me prender, ele pode e deve usar uma linguagem mais informal e menos técnica. Seu tom deve ser leve, mas moderado. Que ele não me dê opiniões e impressões subjetivas em demasia, pois posso perder a credibilidade no que leio. É fato: não busco “achismos”, mas informação segura. E aprendo ainda que o formato daquele texto que vejo na tela foi todo pensado para mim, melhor dizendo, para todos nós, leitores, ávidos por novidades, nesse tempo em que a informação é veloz e mutante. Espaços mais abertos, tópicos bem pensados, imagens escolhidas a dedo, pois devem agora exercer também elas a função de texto. Na internet, imagens têm papel vital. Tudo deve ser claro, imediato e simples. Simples a linguagem, a forma, o conteúdo e também o manuseio, fator que me é assegurado por botões quase didáticos e autoexplicativos. Não há tempo a perder. Temos pressa. Eu, leitor, de me habituar com essa realidade. Têm pressa os autores de textos, os ilustradores, os diagramadores de captar mil maneiras para me enredar mais e mais nessas novas e infinitas mídias. Somos os mesmos e somos outros, todos nós, nas relações efêmeras que os recursos digitais desenham. Entre textos impressos e telas, vamos convergindo, passo a passo e quase sem perceber, a novos modos de escrita e de leitura.

 

 

 

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